A Inclusão dos Gentios na Sagrada Aliança - por Antônio Eustáquio Marciano

08/04/2016 10:42

 

FACULDADE CATÓLICA DE UBERLÂNDIA

CURSO DE GRADUAÇÃO EM TEOLOGIA

 

 

ANTÔNIO EUSTÁQUIO MARCIANO

 

 

A INCLUSÃO DOS GENTIOS NA SAGRADA ALIANÇA

Referências aos gentios na Nova Aliança, segundo o Evangelho de São Mateus

 

 

UBERLÂNDIA

2013

 

 

ANTÔNIO EUSTÁQUIO MARCIANO

 

 

A INCLUSÃO DOS GENTIOS NA SAGRADA ALIANÇA

Referências aos gentios na Nova Aliança, segundo o Evangelho de São Mateus

 

 

 

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Teologia da Faculdade Católica de Uberlândia (FCU) – MG, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em TEOLOGIA.

 

Orientador: Prof. Ms. Gilzane Silva Naves

 

 

 

UBERLÂNDIA

 

2013

ANTÔNIO EUSTÁQUIO MARCIANO

 

 

 

 

A INCLUSÃO DOS GENTIOS NA SAGRADA ALIANÇA

Referências aos gentios na Nova Aliança, segundo o Evangelho de São Mateus

 

 

Banca Examinadora

 

_____________________________________________

Prof. Esp. Flávio Henrique Barbosa

Examinador 1 - Faculdade Católica de Uberlândia

 

 ________________________________________________

Prof. Ms. Gilzane Silva Naves

Orientador –  Faculdade Católica Uberlândia

 

 

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Professor Ms Manoel Messias Oliveira

Examinador 2 - Faculdade Católica de Uberlândia

 

Novembro  / 2013

 

 

 

MARCIANO, Antônio Eustáquio. A Inclusão do Gentios na Sagrada Aliança. Referências aos gentios na Nova Aliança, segundo o Evangelho de São Mateus.

Trabalho de Conclusão de Curso de Teologia, Faculdade Católica de Uberlândia, 2013.

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumo

Este trabalho pretende evidenciar no texto de São Mateus, mostras de que o Senhor Jesus quis levar sua mensagem a todos os povos do mundo e não apenas aos judeus. Para isto, foram levantadas, no texto mateano, e em obras de escritores de teologia da revelação, passagens que comprovam isto. Segundo o texto, Jesus criança foi adorado por gentios, curou gentios, fez inúmeras referências à fé de gentios no Deus de Israel, enquanto boa parte do povo judeu, herdeiro do patrimônio espiritual hebreu, não demonstrava ter a mesma fé. O trabalho fala rapidamente sobre a formação da religião mosaica, a caminhada de fé do povo hebreu, desde Abraão, o primeiro patriarca, até os apóstolos de Jesus Cristo. Faz referências à dinâmica da Igreja nascente, comandada pelos discípulos de Jesus, o início da martiria cristã e a conversão de um judeu fariseu – o apóstolo Paulo -  que assumiu a responsabilidade da pregação do Evangelho aos gentios. Por fim, quer dar mostras de que o Evangelho de Mateus propõe um cristianismo que reúne elementos do importantíssimo patrimônio espiritual hebreu e a sabedoria da filosofia helênica.

 

Palavras-chave: Evangelho. Inclusão. Salvação. Helenismo. Gentios.

 

Abstract

This work intends to highlight in the text of St. Matthew, shows that the Lord Jesus wanted to take his message to all peoples of the world and not just to the Jews. For this, were raised in the Matthew text, and in the works of writers of theology of revelation, passages that prove this. According to the text, Jesus child was adored by Gentiles, healed Gentiles, made numerous references to the faith of Gentiles in Israel of God, while a large part of the Jewish people, heirs of Hebrew spiritual patrimony, not showing the same faith. The work speaks quickly on the formation of the Mosaic religion, the faith of the Hebrew people, from Abraham, the first Patriarch, to the Apostles of Jesus Christ. References to the dynamics of the early Church, headed by the disciples of Jesus, the early Christian the martyrdom and converting a Jewish Pharisee-the Apostle Paul, who assumed the responsibility of preaching the Gospel to the Gentiles. Finally, wants to show that the Gospel of Matthew proposes a Christianity that brings together elements of important Hebrew spiritual heritage and the wisdom of Hellenistic philosophy.

 

Keywords: Gospel. Inclusion. Salvation. Hellenism. Gentiles.              

 

INTRODUÇÃO

 

Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no Reino dos Céus; e os filhos do Reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes (Mateus 8,11-12).

 

 

       O cristianismo nasceu, segundo a Bíblia, dentro do judaísmo, na Palestina, província do Médio Oriente, ocupada pelo Império Romano, a partir do nascimento, ministério, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré, chamado “O Cristo”.  Os discípulos de Jesus, após a morte deste, continuaram a pregar sua mensagem por todo o mundo judaico. Coube ao apóstolo Paulo de Tarso, a divulgação da mensagem de Cristo pelo mundo de cultura helênica, aos povos judeus e gentios. Nos dois primeiros séculos, a mensagem cristã foi rejeitada pelas autoridades romanas e parte das autoridades judaicas. Os cristãos foram perseguidos. Entretanto, em 313 d. C. o Império Romano, já sediado no oriente, através do Imperador Constantino, declara-se neutro em relação a práticas religiosas, acabando com qualquer perseguição aos cristãos. Posteriormente, o imperador Teodósio, em 380 d. C. torna o cristianismo religião oficial do Império. Os cristãos passaram, em três séculos, de povo perseguido a povo amigo do poder. A partir daí, o cristianismo, nascido no judaísmo, absorve mais clara e concretamente, elementos da cultura helênica, e se espalha pelo mundo. Tornou-se uma religião seguida, nos dias de hoje, por cerca de dois bilhões de pessoas, segundo o site Missão Jovem, em todo o planeta e tem, como base fundamental, a fraternidade, a partir do amor doação, onde cada indivíduo deve colocar o seu próximo em pé de igualdade consigo mesmo, tudo, a partir da fé em Cristo Jesus.

O cristianismo parte do pressuposto de que a salvação, termo teológico correspondente à felicidade, só é conseguida quando o individuo ama a Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todo o seu espírito e ama ao seu próximo como a si mesmo, conforme o livro do Evangelho de São Mateus, capítulo 22, dos versículos 36 a 39.

A Escritura Sagrada do cristianismo é a Bíblia, que é dividida em duas partes: o Antigo ou Primeiro Testamento e o Novo ou Segundo Testamento. Este último é ainda chamado de Testamento Tardio. O Novo Testamento consta, em ordem de distribuição na Bíblia, de três livros dos evangelhos sinótico, escritos, respectivamente, por Mateus, Marcos e Lucas, um evangelho de João, que se distingue dos demais, segundo a Bíblia de Jerusalém, 2011, p. 1835, entre outros motivos, por uma “... cristologia muito mais evoluída, que insiste, particularmente, sobre a divindade de Cristo”. Depois vem o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, seguido de treze cartas e epístolas escritas pelo apóstolo Paulo às comunidades fundadas e acompanhadas, mesmo de longe, por ele. Depois vem a carta aos hebreus, de autor desconhecido, seguida de uma epístola de Tiago, duas epístolas de Pedro, três epístolas de João, uma epístola de Judas e, por último, o livro do Apocalipse ou Revelação, atribuído ao apóstolo João. O Novo Testamento tem, portanto, um total de 27 livros.

       As escrituras cristãs procuram falar ao coração humano que Deus, por amor à sua criação, mandou seu único Filho, Jesus Cristo, que se encarnou, vivendo a condição humana, no meio de nós, para nos ensinar a viver felizes, em paz, resistindo ao pecado que é sinônimo de morte. A mensagem cristã quer mostrar que Deus está presente no outro, seja ele quem for. A comunhão com Deus não é privilegio de judeu ou grego, mas de todos que aceitam a Jesus Cristo.

       Este trabalho tem, por finalidade, levantar, no texto escrito pelo evangelista Mateus, elementos que caracterizem esta afirmação, buscando passagens onde Jesus alerta seus discípulos a bem compreenderem a mensagem divina, abrindo o coração a ela. O texto tentará localizar, na fala do Mestre, mostras de que o Deus de Israel está sendo e poderá ser, muitas vezes, mais bem compreendido por pagãos que O estão ouvindo e pondo em prática sua palavra, enquanto o povo eleito tem descuidado disto. O texto quer lembrar que talvez nós também hoje estejamos deixando escapar a oportunidade de aceitar, conviver e bem viver com pessoas que, embora pareçam diferentes, são filhos do mesmo Pai, são amadas por Ele e praticam os seus mandamentos.

 

1 – Sobre o Evangelho de São Mateus

 

1.1 - Origem e autoria

 

A obra literária que leva o nome de “O Evangelho Segundo São Mateus” e que aparece em primeiro lugar entre os sinóticos, na Bíblia, não teve, em origem, este nome, posto que, na época, os escritores não costumavam assinar suas obras. O nome foi dado pela Igreja, por volta do ano 150, segundo a apresentação, na Bíblia Sagrada (MISSIONÁRIOS CAPUCHINHOS DE LISBOA, 1988, p. 975). Papias confirma isto no ano 135 d. C, pois, para ele “Mateus ordenou os ditos (logia) em dialeto hebraico (aramaico), sendo que, após, foram surgindo as traduções particulares”, conforme Pérez. (PÉREZ, 1998, p. 105). Muitos outros autores acreditam que Mateus não escreveu o livro tal como ele se nos apresenta hoje, na Bíblia. Dizem que o apóstolo teria, sim, escrito, em aramaico, a língua usada por Jesus, uma coletânea de sentenças proferidas pelo Senhor. Isto, posteriormente, teria sido ampliado em língua grega, única língua em que existe o texto original. Sem certeza, acredita-se ter sido escrito na cidade de Antioquia, onde a Igreja crescia muito e onde os discípulos foram chamados, pela primeira vez, de cristãos (At 11,26). Segundo MARCIANO, p. 20 e VAN BULL, p. 29, este evangelho foi escrito, não no início da Igreja, mas numa época próxima à queda de Jerusalém, destruída pelos romanos, no ano 70, d. C. Outros afirmam que foi escrito a partir do evangelho de Marcos e outras fontes, embora se apresente antes do Evangelho Segundo Marcos, na Bíblia (MATERA, 1999, p. 51),.

 

1 – 2  Destinatários e finalidade

 

       Com claros sinais da polêmica entre cristãos e judeus acerca do Salvador, o texto mateano fala de Jesus sendo Deus conosco, na liturgia e até o fim dos tempos, ou seja, foi escrito para os judeus, com a finalidade de mostrar que Jesus de Nazaré era o Messias prometido por Deus. Orígenes, segundo Pérez (1998, p.106), diz que o evangelho de Mateus foi escrito para fieis oriundos do judaísmo, com o que concorda, em parte, a crítica moderna, mas visando também aos que vinham do paganismo, uma vez que a mensagem é universal. Pérez(1998, p.106) apresenta como peculiaridades do texto mateano:

 

Dá mais importância às palavras que às obras de Jesus; é apologético, pois que quer mostrar que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas; apresenta Jesus como um mestre que ensina com autoridade, não como os escribas e apresenta os discursos de Jesus em cinco grandes blocos sistemáticos, querendo apresentar o Senhor como ‘O Grande Mestre.

 

A autenticidade messiânica de Cristo, segundo ele mesmo, é o fato de que “aos pobres é anunciada a Boa Nova” (11,5). Jesus de Nazaré passou a vida fazendo bem e um grupo de pessoas se tornara seu discípulo e não conseguia mais se afastar dele. Jesus instruiu estes homens e mulheres sobre as maravilhas do Reino dos Céus e procurava prepará-los para que eles pudessem reproduzir os ensinamentos a todo o povo. E o povo todo procurava Jesus e recebia cura para os seus males. Esse sucesso de Jesus entre o povo chamou a atenção dos intelectuais e religiosos. Eram frequentes os questionamentos que estes faziam a Jesus, os quais não visavam à aprendizagem, mas a encontrar em Jesus alguma contradição para, assim, poderem achar um motivo para acusá-lo e calar aquele que era uma ameaça aos privilégios que tinham à custa da ignorância do povo. As palavras de Jesus convenciam muitos de que Deus ama a todos e a todos convida para o banquete escatológico (11,19).  

Apesar de ter, sem dúvida, consciência de sua afinidade com os profetas, não é uma reivindicação de Jesus Cristo para si o titulo de profeta. Como profeta ele penetra os segredos de Deus e prevê para si a sorte dos profetas (13,57) e o povo considera-o como o profeta esperado para o final dos tempos (21,11). Ensina o povo que não se pode guardar para si o evangelho, mas ele “deve ser pregado a todas as gentes, em todo o mundo” (24,14) e quem acolher a mensagem dos apóstolos será salvo, do contrário será condenado (10,14). Os discípulos de Jesus vão percebendo que o Pai revela o Filho aos “pequenos”, que reconhecem sua pequenez ante o absoluto. Foi por revelação do Pai que Pedro reconheceu a verdade do Cristo (16,17).

 

1 – 3 Estrutura do Evangelho de Mateus

 

1.      O Sermão da Montanha, em que Jesus fala do caráter, dos deveres, dos privilégios e do destino daqueles que pertencem ao Reino do céu (capítulos 5-7);

2.      Instruções dadas aos doze apóstolos para sua missão de anunciar a vinda do Reino do céu e de curar os doentes (capítulo 10);

3.      Os segredos do Reino do céu, apresentados em forma de comparações (capítulo 13);

4.      Ensinamentos a respeito da Igreja, a nova comunidade, composta de seguidores de Jesus (capítulo 18);

5.      Ensinamentos sobre o fim do mundo e a vinda do Reino do céu.

 

2 – Prefiguração da mensagem do Evangelho de São Mateus no Antigo Testamento

 

2 – 1  Surgimento e caminhada do povo hebreu

 

       A busca de orientação, visando a uma existência feliz, tem sido ato constante na vida de boa parte da humanidade. Judeus e cristãos, também, têm buscado isto nas suas sagradas escrituras, a Bíblia Sagrada. Este é o livro mais traduzido e vendido no mundo e compõe-se de uma coletânea de escritos ajuntados num só volume, desde mais de um milênio antes do nascimento de Jesus Cristo. Graficamente, é uma sequência, em parte, cronológica, pois que começa com a criação do universo, no livro que narra a criação, chamado de Gênesis, e termina com textos escatológicos, no livro chamado de Apocalipse ou Revelação. A Bíblia, em sua primeira parte, chamada Antigo Testamento, conta a história do povo hebreu, que começa com Abraão, chamado por Deus, da terra onde habitava, Ur, na Caldeia, para mudar-se para a terra que Ele indicaria, para formar ali uma grande nação (Gn 12, 1-6). Essa história é recheada de alegrias e tristezas, regozijo e sofrimento, vitórias e derrotas. Entretanto, reina no meio daquela gente a consciência de que o seu Deus está sempre com ela, a orientá-la. Na sua visão, quando ouve o seu Deus, tudo corre bem. Se esquece o seu Deus, as coisas desandam. Por isto, os textos sagrados procuram exortar os seres humanos a buscarem sempre o caminho determinado pelo seu Deus. Esse Deus se identifica com seu povo e se revela. Diz seu nome – Javé, ou Jeová, ou Yavé (Eu Sou) – a seu servo Moisés, num diálogo íntimo e fervoroso (Ex  3, 11-15). E Javé caminhou com seu povo, salvando-o das garras dos inimigos. Javé promete que este seria o seu povo e Ele seria o seu Deus (Jr 30,22 - 31,33). Mesmo assim, este povo, muitas vezes, se sentiu abandonado e só, no seu sofrimento. Surgiram, no seu meio, homens e mulheres de fé e coragem que denunciavam as injustiças, clamavam pela vinda de seu Deus a socorrê-los. Tentavam, estes homens e mulheres, profetas e profetisas, corrigir seus irmãos, quando estes seguiam o caminho que não o de Javé. E Javé os consolavam sempre.

       Há quem pense que não se pode tratar a história de Israel apenas como sagrada, nem só como profana. Acerca disto, diz Balthasar, 2012, p. 85:

 

A história de Israel, em seus poucos séculos, é sempre uma história dupla. Sobre a evolução profana, em que este povo, incrustado entre as grandes potências, realiza a elevação, desde a época ligada ao mito, até a universalidade da razão dos gregos e logo de todo o mundo helênico (que não só se coloca pela fase final da Bíblia, senão que colabora decisivamente em sua formação), situa-se uma abrupta elevação completamente diferente, que leva diante da irrepetibilidade de Cristo. Mas, ao procurar incluir a aparição de Cristo como ‘plenitude dos tempos’ no sistema da História Sagrada, suscita-se o problema difícil e de muitas consequências para a teologia, de si a outra história, que transcorre como história profana sobre a História Sagrada de Israel, tem também, enquanto História, uma preferência a esta ‘plenitude’ alcançada historicamente. 

 

2– 2  O cumprimento de uma promessa: vinda do Messias de Deus

 

       E o Deus daquele povo prometeu, pela boca dos profetas, mandar um Ungido, um Messias, um Cristo, alguém especial, escolhido por Ele, que libertaria o povo de qualquer jugo ou sofrimento (Is 9,1-6). E o povo esperou este enviado com atenção, cuidado, expectativa e curiosidade.  A Pequena Enciclopédia Bíblica (2006, p. 434), refere-se a este escolhido, cujo título, vem do hebraico, Ungido, correspondente à palavra grega Christos, como Deus forte (Is 9,6), Homem de Dores (Is 53,3), Homem Humilde (Is 11,53), Homem Justo (Is 11,4), Conselheiro (Is 9,6), Juiz (Sl 72, 2-4), Legislador (Is 33,22), Mediador (Is 49,8), Pedra Angular (Is 28,16; Sl 118,22), Príncipe da Paz (Is 9,6), Profeta (Dt 18,15; Sl 110,4), Redentor (Is 59,20), Rei (Sl 2,6; Mq 5,2; Zc 14,9), Sacerdote (Sl 110,4), Servo (Is 42,1; 49,6). Conforme predito pelos profetas, no tempo oportuno, o Deus deles mandou um ungido, um ser especial que nasceu ser humano, do sexo masculino, Jesus de Nazaré, de uma mulher, Maria, esposa de José, um carapina, (Mt 1,16; 13,55), numa cidade determinada, Belém da Judéia (Mt 1,18 ss), em época determinada, ou seja, no tempo do rei Herodes (Mt 2,1-5). A família temia o rei Herodes e foi para o Egito. Após a morte do rei, retornou à Galileia e estabeleceu-se em Nazaré (Mt 2,23). Segundo o evangelista Mateus, Jesus andou pela terra fazendo o bem, curando pessoas, formou um grupo de seguidores, homens e mulheres.  Pregou uma doutrina que contrariou interesses da classe sacerdotal e, por isto, foi condenado à morte e executado. Ainda, segundo os evangelhos, no terceiro dia, ressuscitou (Mt 28,1-8).

       Estes acontecimentos marcaram a vida da humanidade porque, segundo o evangelista, a concepção de Jesus aconteceu quando Maria, sua mãe, ainda não coabitava com o esposo José (que assim é chamado pai adotivo de Jesus), mas pela ação do Espírito Santo (Mt 1,18-22). Isto era para se cumprir a profecia de que uma jovem daria à luz uma criança, que seria chamada Jesus (Is 7,14), pois teria a missão de salvar o povo dos seus pecados.  Adulto, era chamado mestre poderoso pelas palavras e obras, pois chegou a realizar milagres, conforme relatos evangélicos. Tendo nascido Jesus, uns magos vieram adorá-lo (Mt  2,1-12). Mateus, conservando este episódio e interpretando-o à luz das profecias do Antigo Testamento, quer revelar-nos que Jesus é o Messias rei, desde o começo abandonado pelos seus e adorados pelos gentios. Após sua morte, seus discípulos, depois de um período de recolhimento e incertezas, foram tomados de um grande entusiasmo, quando, reunidos no cenáculo, onde também se encontrava a mãe de Jesus, receberam o Espírito Santo, em forma de línguas de fogo. Pois, antes de subir ao Pai, Jesus mandou que os discípulos, fizessem no mundo inteiro discípulos seus, batizando-os, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinassem a todos a observarem o que ele os havia ordenado (Mt 28, 16-20). A partir disto, os apóstolos e discípulos se encheram de coragem, entusiasmo, fé e começaram a proclamar que aquele Jesus que fora crucificado era o Messias prometido por Javé e anunciado pelos profetas. Os próprios apóstolos começaram a fazer curas em nome de Jesus (At 3,1-8), chamado por eles mestre e senhor.  

Assim, a comunidade cristã foi crescendo muito e passou a ter grande influência na sociedade. Isto passou a incomodar muito, principalmente às autoridades religiosas, pois eles já houveram mandado matar Jesus por achar que ele contrariava todos os princípios da Lei mosaica. Mas começaram a perceber que Jesus continuava existindo naqueles homens simples, seus discípulos, que atraiam multidões, faziam milagres e curavam doentes, tudo em nome de Jesus, aquele que havia morrido na cruz (At 4,1-31). Zelosas pela sua lei, concluíram as autoridades religiosas que também estes homens precisavam ser expulsos da comunidade. Muitas tentativas foram feitas, sem sucesso. Por várias vezes, os apóstolos foram torturados para que renegassem a fé em Jesus divino, mas eles não faziam isto. Ao contrário, suportavam acoites e calúnias e se vangloriavam por merecerem isto pelo evangelho do seu mestre e senhor. Assim, impressionavam a todos que, mesmo não conhecendo Jesus, iam aos apóstolos. Como a comunidade cristã fortificava-se cada vez mais, medidas drásticas foram tomadas pelas autoridades religiosas. Os acoites e prisões de nada adiantavam, pois quanto mais sofriam castigos de toda natureza, mais os discípulos tinham desejo e disposição para pregar o evangelho de Jesus Cristo. E o faziam com eficácia. Não faltou quem sugerisse às autoridades que deixassem os discípulos em paz, pois não conseguiriam destruir o movimento cristão, se ele fosse coisa de Deus. Entre os que defendiam tal prática estava Gamaliel, homem sábio e respeitado no meio religioso (At 5,34-42). Mas o martírio viria pela primeira vez com Estevão, feito diácono pelos apóstolos, homem de fé e cheio do Espírito Santo (At 6,6). O relato evangélico mostra Estevão como grande pregador, o que veio a desagradar a alguns grupos. Acusado caluniosamente, é levado ao Sinédrio, onde não se defende, mas faz uma proclamação onde resume o Antigo Testamento e mostra Jesus Cristo como o Filho de Deus (At 7,2-50). Ali, acusa os judeus de resistirem ao Espírito Santo, matar os profetas e Jesus Cristo (At 7,51-53).

      A investidura de Estevão, bem como a outros seis homens repletos do Espírito de Sabedoria (At 6,3) ao posto de diácono deveu-se à reclamação dos fieis de origem helênica de que seus necessitados não tinham a mesma atenção dos necessitados de origem hebraica. Por isto, foram escolhidos seis homens para servirem às mesas e cuidar de coisas práticas para que os apóstolos pudessem se dedicar inteiramente à oração e ao serviço da palavra. Revelavam-se aí as primeiras tensões entre judeus de origem grega e os de origem hebraica, uma vez que as comunidades agora tinham judeus hebraicos, judeus helênicos e pagãos que se convertiam ao judaísmo.

       Um homem jovem presenciou com aprovação a execução de Estevão e sob seus pés viu serem colocados os mantos das testemunhas (At 7, 58). Não porque tivesse maldade no seu coração, mas porque era radicalmente zeloso da lei mosaica e presenciava o fim de alguém que, para ele, reinterpretava essa lei, seguindo seu mestre que fizera o mesmo. Este homem jovem era Saulo, “hebreu, filho de hebreus, da tribo de Benjamim, circuncidado no oitavo dia, israelita de nascimento. Quanto à lei judaica, fariseu; quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que se alcança pela observância da lei, sem reprovação” (Fl 3,5-6). A Pequena Enciclopédia Bíblica (2006, p. 277) define fariseu como:

 

Uma das principais seitas dos judeus, muito mais numerosa do que a dos saduceus e de mais influência entre o povo. Insistiam no mais rigoroso cumprimento da lei e das tradições. Os chamados fariseus, i.e., separados, não somente porque se separavam dos outros povos, mas também dos outros israelitas. Observavam práticas minuciosas, mas se esqueciam do espírito da lei, como se vê na maneira pela qual se lavavam antes de comer, na lavagem de copos, jarras, etc. Mc 7,3-4, em pagar escrupulosamente o dízimo, Mt 23,23, na observância tão minuciosa do sábado, de modo que este dia, em vez de ser de descanso, tornou-se um peso Mt 12,1-14; Lc 13,10-17... Alguns fariseus de renome: Simão Lc 7,36, Nicodemos Jo 3,1, Gamaliel At 5,34, Saulo de Tarso At 23,6 e Fl 3,5 .

 

3 – A incompatibilidade com os povos chamados gentios

 

       A Igreja nasceu no meio do povo de Israel, que se considerava escolhido por Deus para ser dEle, devendo, assim, viver separado dos outros. O Antigo Testamento diz que Deus amou os pais, escolheu os descendentes, o constituiu povo predileto (Dt 7,7-8) e santo (Dt 26,19), deu-lhe poder para expulsar nações e ocupar as terras delas. Adiante, no capítulo vinte e oito, diz que Deus confirma este povo, dizendo que, desde que ande no caminho do Senhor, será farto, rico de bênçãos e de bens materiais e temido por todas as demais nações (9-14). O livro de Josué (3,10) diz que o Deus vivo está no meio desta gente, que expulsará os cananeus, heteus, heveus, fereseus, gersegeus, os amorreus, os jebuseus. O capítulo sete do livro de Daniel chama de feras os quatro impérios dos babilônios, medos, os persas e os gregos de Alexandre Magno, dizendo que o Deus de Israel vai fazer com que sejam dominados. Pior destino aos demais é descrito no livro de Zacarias (14,16-21), ou seja, o que sobrar das nações conquistadas será obrigado a adorar o Senhor nas tendas, sendo que àqueles que se negarem a isto está reservada grande maldição. O profeta Joel (4,12-14), diz que todas as nações deverão subir o monte para serem julgadas pelo Senhor. Parece importante, porém, considerar observações feitas por quem se percebe fora deste espaço sociológico, psicológico e histórico cristão, para considerar a relação entre a tradição e escritura hebraica, com as bases fundamentais do cristianismo. Sobre isto, ao se referir à questão judaica cristã, diz Bloom, 2006, p. 140:

 

Talvez, à exceção da obra de Santo Agostinho, jamais li algo tão tendencioso, quanto os evangelhos, que mantêm um propósito fixo em relação ao leitor e, na condição de propaganda eclesiástica, é possível que pouco tenham a ver com o histórico Yeshuá de Nazaré. Jamais saberemos. Os Evangelhos nos apresentam um Jesus tão mitológico quanto Átis, Adônis, Osíres ou qualquer outra divindade que morre e renasce. Um Messias que é Deus encarnado e que morre na Cruz pelo Perdão de todo pecado humano é irreconciliável com a Bíblia hebraica.

 

         O mesmo escritor credita a existência, coesão e longevidade do cristianismo à força persuasiva do Evangelho e à totalidade da estrutura do Novo Testamento. Esta coesão deveu-se a uma leitura revisionista que adota diante da Bíblia Hebraica. Para ele, existe uma incompatibilidade de destinatários, pois Jesus traz a mensagem para os judeus e os discípulos a levam para os gentios (BLOOM, 2006, p. 140).

         Na opinião de Ciola, é fato que não são poucas as correntes teológicas que afirmam que, apesar da pluralidade de suas expressões, a teologia cristã é a única que afirma ser Jesus Cristo, única e definitiva salvação. Em nível mais geral, numa perspectiva humanista, considera-se o Cristo como inspiração para uma meta de perfeição humana a ser estabelecida e, numa perspectiva religiosa, um mediador certo para a descoberta de uma verdadeira relação com Deus. (CIOLA. 1992 P. 14).

 

4–Uma cultura diferente domina o povo de Israel

 

       Em meados do quarto século antes de Cristo, os judeus receberam muito bem um general que rapidamente foi conquistando muitos povos e não demorou a conquistar também o médio oriente, ocupando Jerusalém. Seu nome era Alexandre, chamado “Grande”, imperador da Macedônia, que, apesar de suas qualidades como líder nas guerras expansionistas, veio a falecer com pouco mais de trinta anos. O que veio depois foi um processo de helenizacão de todos os povos do império macedônio, por parte dos sucessores, continuando o plano do grande guerreiro.  Em consequência disto, as culturas grega e judaica passaram por um importante processo de fusão. A língua grega tornou-se dominante entre os judeus da diáspora. Por isto, houve necessidade de uma tradução das Escrituras Judaicas para o grego. Esta tradução resultou em trabalho chamado de Septuaginta, isto porque, segundo uma lenda, teriam sido escolhidos 70 homens sábios para esta tradução. A tradução das Escrituras para o grego possibilitou que muitos gentios tivessem contato com os textos sagrados e passassem a respeitar muito a religião judaica e familiarizar-se come ela, ao ponto de muitos se converterem a ela. O inverso também acontecia, ou seja, judeus, vivendo em terras e cultura gregas, também passaram a conhecer, familiarizar-se com a filosofia grega e dar-lhe muito valor, alguns tornando-se filósofos, algo inteiramente novo para os judeus. Exemplo disto é Filo de Alexandria que, no primeiro século depois de Cristo, tentou explicar o judaísmo usando elementos da filosofia grega. O livro “O HOMEM EM BUSCA DE DEUS”, de responsabilidade da Sociedade Torre de Vigia (São Paulo, 1990, p. 214), transcreve o seguinte texto, atribuído ao escritor judeu Max Dimond, que resume este período de reciprocidade entre as culturas grega e judaica: “Enriquecidos com o pensamento platônico, a lógica de Aristóteles e a ciência euclidiana, os peritos judeus passaram a considerar a Torah com novos instrumentos ... Adicionaram a lógica grega à revelação judaica”. 

       A partir de 63 a. C., o mundo grego e a Palestina estavam absorvidos pelo Império Romano e mudanças mais significativas aconteceriam.

 

5 – Quem eram os gentios ou pagãos para os judeus e cristãos

 

       Segundo já visto anteriormente, a Pequena Enciclopédia Bíblica diz que gentios é o nome dado pelos hebreus a todas as nações externas ao povo de Israel. Para a Bíblia Sagrada da editora Vozes, p.1507, gentio é um termo judaico e cristão para indicar aqueles que professam religiões não monoteístas, isto é, pagão. A qualificação – gentio - distingue os demais povos do “povo eleito”. Eis algumas passagens na Bíblia que falam dos gentios: “Os hebreus exclamam que os gentios imaginam coisas vãs, se enfurecem, amotinam contra o Deus de Israel e o seu Messias e conclamam a não se submeterem ao jugo destes povos”, (Sl. 2.1; At. 4,25). Sentem-se, os hebreus, chamados ao serviço da justiça, constituídos como luz para os gentios (Is 42,6; 49,6). Jesus diz aos discípulos que não devem se preocupar com as necessidades que eles têm no mundo, “pois isto é coisa de gentios e não do povo eleito” (Mt 6,32), Jesus manda não pregar aos gentios (Mt 10,5). E, após curar um homem em dia de sábado, Jesus, ante o perigo de vida que corria por ter, aos olhos dos judeus, desrespeitado um dos mandamentos da lei mosaica, se retira para longe. O evangelista atribui isto ao cumprimento do que dissera o profeta Isaias: “... anunciará juízo aos gentios” e “ ... no seu nome os gentios esperarão” (Mt 12,18.21). Jesus orienta a correção fraterna entre os discípulos dizendo: “mas, se não ouvirem a ti nem a Igreja, considera-o com gentio e publicano” (Mt 18,17). Esta referência aos gentios como povos totalmente alheios ao espírito israelita, principalmente no que tange a crer num Deus único, aparece ainda, pelo menos em Mt 20,19; 21,24; At 9,15;10,45;11,18;13,46;14,27; 15,3.14;18,6;22,21; Rm 1,5;11,1;11,13;11,25; 1Cor 5,1;12,2; 2Cor 11,26; Gl 2,9;3,8;3,14; Ef 2,11;3,6;3,8;4,17; 1Tm 2,7; 1Pe 2,12; Ap 11;2.

       Por muito tempo, a palavra gentio quis dizer aquele contrário ou desconhecedor da fé.  Os helênicos eram chamados de gentios. Eram os naturais da Grécia ou de terras onde imperava a cultura grega (Rm 1,14; 1Cor 1,24). Distinga-se cuidadosamente do termo ‘helenistas’, que se acha traduzido por ‘gregos’ em At 6.1, 9.29, e 11.20, pois, segundo a Pequena Enciclopédia Blíbica, p. 323, “estes eram judeus que falavam a língua grega, e que viviam fora dos limites de Israel”. Em At 11,20 não se sabe se a referência é a gregos ou a judeus gregos, o que vem constituir um problema para a interpretação da narrativa, para saber a extensão que o Evangelho foi gradualmente alcançando até chegar aos gentios. Os helenos eram politeístas, apesar de terem menos deuses que os romanos ou egípcios. É atribuída a Agostinho de Hipona a pilheria de que “os romanos tinham um deus para a porta, um para a maçaneta da porta, outro para o buraco da porta, etc”, tudo isto, além do culto ao imperador. Enquanto isto, os egípcios tinham muitos deuses em forma humana ou de animais. Percebe-se claramente uma incompatibilidade entre a cultura hebraica e a cultura helênica. Em sua pregação, porém, o apóstolo Paulo apresenta uma terceira opção ao povo, dizendo que: “Os judeus pedem sinais e os gregos procuram sabedoria, nós, porém, anunciamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Mas, para aqueles que são os chamados, tanto judeus, como gregos, ele é o Messias, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1,22-24). Assim, o apóstolo apresenta o que ele diz ser o verdadeiro caminho da salvação, da vida eterna, da felicidade.  Ante a esta realidade, muitos têm dúvidas se Jesus tinha consciência da importância de sua missão? A resposta é sim, para Cavalcanti, 2007, p. 79:

 

[...] Jesus está plenamente consciente de encontrar-se em um momento crucial da história, de ser o encarregado de oferecer aos homens o dom que Deus lhe concede de seu Reino e de ser o responsável pela acolhida favorável da parte dos homens ao oferecimento do Reino. Conferindo o perdão aos que acolhem o anúncio, Jesus ofereceu-se em comunhão e à comunhão com o Pai no Espírito; aqui está o sentido último e transcendente da espiritualidade do Reino [ ...] a comunhão plena com Deus.

 

       A missão de Jesus é oferecer-se a todos os homens, judeus, gentios, escravos e livres. Por isto, talvez, ele está dando sempre exemplos de que, muitas vezes, os gentios se comportam de uma maneira mais agradável a Deus do que aqueles que se consideram povo escolhido.

 

6 – Elementos na obra mateana revelam identificação com os povos gentios

 

        Alguns textos dos evangelhos refletem quebra de paradigmas na comparação feita na época entre os cristãos de origem judaica e os de origem pagã. Mateus diz que o discípulo é aquele que ouve (5,1; 13,10-36) e segue o ensinamento do Senhor.

 

O desinteresse que Jesus tem pela circuncisão e que é testemunhado pelo fato de que nunca a mencionou como condição de acesso ao Reino de Deus reforça a impressão de que a estrutura sociológica, assim como a localização geográfica, não são elementos decisivos de pertença ao Reino de Deus (3,9; 7,21-23). (Duquoc, 2008, p.36).

 

       Em sua obra, Mateus relata situações e momentos em que mostra esta verdade. Ele apresenta a genealogia de Jesus (1,1-16) mostrando que o Cristo vem de gerações em que estão incluídas pessoas não israelitas, como, por exemplo, quatro mulheres estrangeiras: Tamar, que com Judá gerou a Farés; a prostituta, Raab, de Jericó, que ajudou os israelitas a tomada da cidade, convertendo-se a Israel e, posteriormente, se casou com um dos príncipes da tribo de Judá, Salmon, filho de Naasom; Rute, a moabita, que se casou com Booz, filho de Salmon com Raab, gerando Obed, que foi pai de Jessé, pai de Davi (1,5); por fim, Betsabá, a heteia, mulher de Urias que, com Davi, em adultério, gerou a Salomão. Importante se faz considerar as exclamações de Jesus para o povo israelita (11,20-24): “Então começou a verberar as cidades onde havia feito a maior parte dos seus milagres, por não terem se arrependido: ‘Ai de ti, Corazin! Ai de Ti, Betsaida. Porque, se em Tiro e em Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizaram, há muito se teriam arrependido, vestindo-se de silício e cobrindo-se de cinzas. Mas eu vos digo: no dia do julgamento, haverá menos rigor para Tiro e Sidônia do que para vós ... “. Aqui, apesar de não estar totalmente claro, parece que Jesus reclama do não entendimento de sua mensagem, por parte do seu próprio povo e que um povo gentio o entenderia melhor. Mateus atribui a Jesus uma afirmação num texto emblemático que a muitos perturbam: “... os últimos devem ser os primeiros” (19,30). E “os mansos possuirão a terra” (5,5). Sobre este texto, vejamos o comentário de Ratzinger: “Uma coisa é clara: aparece uma nova universalidade, que tem a sua origem no fato de eu já ser interiormente irmão de todos aqueles que encontro e que precisam da minha ajuda”. (Ratzinger, 2011, p. 176).

       Através dos elementos da cultura hebraica, juntamente a conceitos do seu mundo à volta, os judeus cristãos da diáspora, que viviam sob a influência da cultura helênica, tentavam compreender as riquezas do mistério de Jesus. Aplicavam a Jesus um título de Senhor, que era, segundo Boff, título de gentileza. Ele era assim, chamado pelos pagãos (8,8), mas também pelos judeus (8,21; 18,21). Em sentido escatológico, o povo palestinense, após a ressurreição, começa a chamar o ressuscitado de Senhor, sendo ele o que, vindo, consumará o mundo. “No mundo helênico, os judeus cristãos invocam Jesus como Senhor para aclamá-lo e celebrá-lo presente como ressuscitado nas comunidades” (Boff, 1986, p.111).

        As primeiras comunidades cristãs, independentemente da origem dos povos, viviam fraternalmente, porque que consideravam todos os serem humanos filhos do mesmo Deus, o que vem tornar relativas quaisquer diferenças. Aí não há mais ricos e pobres, livres ou escravos, pobres ou ricos, judeus ou gregos, homens ou mulheres, instruídos ou ignorantes. Sobre isto, diz Orduna:

 

Não obstante, em seu seio se aninham conflitos, particularmente em relação com a unidade, porque nem sempre a acolhida da graça do Senhor é absoluta e em muitas ocasiões, por outro lado, está absolutizada a situação sócio econômica, sócio cultural e sócio religiosa de seus membros. Cada um vai ao seu, a partir do seu. Está no seu, ex-siste a partir do seu (ORDUÑA, 1988, p. 38).

 

       A soberania de Jesus é interpretada de particular maneira pelos cristãos helenistas nas suas paragens. Para eles o título Salvador, como o imperador era cultuado, era interessante, mas não os termos Messias e Filho do Homem, tão caros aos judeus. Assim, os primeiros cristãos helênicos veneravam Jesus epifânico, como o era o imperador quando chegava em uma cidade. Também consideremos que filhos de deuses gerados de virgens eram histórias bem conhecidas dos gregos. Assim, um filho de deus pertence à esfera divina. Entendiam, os helênicos, o titulo de Filho de Deus, para Jesus, não no sentido jurídico, mas físico mesmo. Assim, não adianta só dar títulos a Jesus e chamá-lo Senhor, Senhor (7,21-23). Considerando isto, os cobradores de impostos e prostitutas entrarão mais facilmente no reino dos céus do que os piedosos escribas e fariseus (21,23). Em 21,43 , o texto “Por isto vos digo: O reino de Deus será tirado de vós e será dado a um povo que produza os devidos frutos”, parece querer dizer que são os homens convidados a escutar e compreender (13,23), isto é, aceitar a fé a palavra de Deus e viver de acordo com ela. Cristo faz a oposição entre os que ouvem a palavra e a põem em prática e os que ouvem sem passar a vivê-la. Os primeiros constroem a casa alicerçada sobre a rocha e os outros constroem a casa alicerçada sobre a areia (7,24-27). A parábola contada em 21, 28-32 fala de dois filhos que, ante um mandado do pai, um disse que ia e não foi, o outro disse que não ia e foi. Parece aqui uma referencia aos hebreus (os primeiros) e aos gentios. Aplicando a parábola à pregação do Batista são postos em contraste os publicanos e os pecadores (que não observam a Lei, mas que se arrependeram e entraram no Reino) e os fariseus, observadores escrupulosos da Lei, mas que se negaram a entrar no Reino dos Céus.

 

7 – Na obra mateana há exclusão dos gentios

 

       A admissão dos gentios na Nova Aliança foi cheia de tensões e desafios, trazendo problemas sérios a serem resolvidos pelas lideranças dos primeiros cristãos. Esta admissão, segundo muitos, só deveria acontecer se eles se submetessem à Lei mosaica, passando por rituais e convertendo-se, primeiro ao judaísmo, para, só depois, se tornarem cristãos.

       A doutrina nova, apresentada pelos apóstolos, que consistia no acesso à salvação por crer em Jesus Cristo, crucificado, representava, para os hebreus que a aceitaram, a plenitude da revelação de Deus que se desenvolvera de acordo com os escritos do Antigo Testamento. Aos gregos, porém, se apresentava como o algo mais, o deus desconhecido do seu panteon, aquele que vai além do conhecimento, ao qual não se chega pela razão, mas pela fé. A esta doutrina aderiram judeus de Israel, judeus da diáspora, judeus helênicos e pagãos ou gentios. Entretanto, os judeus a levavam aos povos diversos, mas não havia consenso de como e quem poderia aderir à doutrina e considerar-se um cristão. O livro dos Atos diz que: “Chegaram alguns da Judéia e ensinavam aos irmãos de Antioquia dizendo: ‘Vós não podeis salvar-vos, se não fordes circuncidados, como ordena a lei de Moisés’. Isto provocou muita confusão e houve uma grande discussão dos apóstolos Paulo e Barnabé com eles. Finalmente, decidiram que Paulo, Barnabé e alguns outros fossem a Jerusalém para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos” (At 15,1-2). Ou seja, segundo estes da Judeia, a pessoa, para ser um cristão, tinha antes que passar pelo judaísmo, representado pela circuncisão. Com isto não concordaram os apóstolos e foi a primeira grande crise dentro do cristianismo.

       Discutida a questão com os principais, em Jerusalém, foram mandados a Antioquia, juntamente com Paulo e Barnabé, outros homens a comunicar, conforme:

 

Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além dessas coisas indispensáveis: abster-se de carne sacrificada aos ídolos, do sangue, das carnes dos animais sufocados e das uniões ilegítimas (At 15,28-29)

 

Ficava assim resolvida esta questão, no que foi chamado o primeiro Concílio da história da Igreja. A partir daí, o cristianismo surgia como uma força religiosa que agregava hebreus e gentios oficial e institucionalmente. Isto viria influenciar a Igreja até os tempos atuais, havendo, ainda hoje, pessoas que pregam a volta ao judaísmo puro. Latourelle, falando de Inácio de Antioquia e Tertuliano, informa que, àqueles, chamados judaizantes, que vêem antagonismos entre o Profetismo e a Boa Nova, subordinando a ao Antigo Testamento, Inácio de Antioquia, apresenta, em contraposição, a pessoa de Jesus Cristo, em quem tudo se reduz à unidade, esperança e realização. Tertuliano não vê ganho numa discussão entre a filosofia e a fé pois, dizia que tendo Jesus Cristo, já não queremos entrar em discussões frívolas. (Latourelle, 1981, p. 93 e p. 145).

 

8 – Na obra mateana Jesus elogia e até privilegia os gentios, estranhos aos seguidores da Torá

 

       Na milícia romana, cada legião era composta de cem cavaleiros e chamada de Centúria. Seu comandante era chamado de centurião. Um centurião da cidade de Cafarnaum procurou Jesus para pedir cura para seu empregado (8,5-13). Sua fé foi elogiada por Jesus, que o atendeu (8,10). Isto vem informar que todo aquele que aceita Jesus, seja de qual parte do mundo for, será salvo por ele (8,11-12). Jesus esperava a incorporação dos pagãos no povo de Deus ou no Reino de Deus, como um ato escatológico do poder de Deus: “A vocação de Israel e a incorporação dos pagãos no Reino de Deus são dois acontecimentos consecutivos da história da salvação“. DUPUIS, 2001, p. 44. Pois, “a comunidade hebraica primitiva via a história da salvação do mesmo modo que Jesus; esperava-se, como também o próprio Jesus, o reino universal de Deus para os fins do tempo”. (Joaquim Jeremias, 1956, apud DUPUIS, 2001, p. 44).

       A parábola do banquete vem informar que a entrada no Reino não é uma questão escatológica, mas acontece já. Nela, um homem dá uma grande festa e convida as pessoas preferidas por ele, mas estas não comparecem. Então ele manda convidar a todos os que estão excluídos e sem esperança e a sua festa torna-se um grande sucesso (22,1-14). “É preciso levar em consideração a atualização da escatologia, já em vias de realização. A reunião escatológica das Nações já está iniciada no mistério de Jesus [...]. O acesso ao Reino se dá graças à fé e a conversão e não pela simples pertença étnica (3,8). Onde aparece a fé, o Reino está presente”. (Legrand, 1989, apud DUPUIS, 2001, p. 44). E, para Song, (apud DUPUIS, p.44): “depois dos desclassificados de Israel, também as pessoas das regiões estrangeiras, ou seja, os gentios, são chamados pelo mestre do banquete (22,1-14). [...]: “O grande banquete incorporava a visão que Jesus tem do Reino de Deus. Trata-se de uma visão global. É uma visão inspirada por Deus, o Criador do céu e da terra, o Deus que criou os seres humanos à sua imagem”. É o convite a entrar no Reino para os gentios que enchem a sala.

        Jesus andou pela região sirio – fenícia e lá encontrou pessoas que não pertenciam ao povo eleito e muitas vezes ficou admirado com a fé desse povo. Também isto aconteceu em Tiro e Sidon. Ali realizou milagres da mesma importância dos realizados junto ao povo de Israel, indicando que o reino dos céus vigora (11,4-6). Song, in DUPUIS, p. 45, diz que Jesus, ante o sofrimento humano percebe não poder, em seu ministério, distinguir pessoas. Foi assim quando curou a filha da mulher cananeia (15, 21-28). Esta cura amplia a visão própria de Jesus e da atividade salvadora de Deus. Ele encontrou fora de seu povo fé profunda, muitas vezes, maior. O episódio do centurião romano e da mulher cananeia acontecem fora da comunidade de Jesus. O padre jesuíta Felix-Alejandro Pastor diz que:

 

Em seu encontro com a ontologia grega e com a filosofia religiosa do helenismo, a primitiva teologia cristã buscou uma integração profunda da sabedoria antiga com a revelação evangélica, convencida da unicidade da verdade e da função iluminante do Logus divino, estendida, inclusive aos sábios da antiguidade clássica. (PASTOR, 1989, p.15).

 

       Apesar de, inicialmente, Jesus ter ordenado que o evangelho devesse ser pregado primeiro aos judeus, pois estes, após sua conversão, como “ovelhas perdidas da casa de Israel” (10,6; 15,24), receberiam de Deus o privilégio de pregarem o evangelho em todo o mundo, estas “ovelhas perdidas” rejeitaram o evangelho. Então, haveria abertura por parte dos não hebreus. Isto vem acontecer com o encontro de Pedro com o romano Cornélio.  

       No Novo Testamento, muitas são as passagens que falam da inclusão dos gentios à aliança: Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19). Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Marcos (16:15). E eles, quando tinham testemunhado, pregaram a palavra do Senhor, voltaram a Jerusalém, e pregando o evangelho em muitos aldeias dos samaritanos (Atos 8,25).  Eles passaram pela Fenícia e Samaria, contaram sobre a conversão dos gentios (Atos 15,3). E ele disse a mim, ide! É para longe, para os gentios que eu te enviarei (Atos 22,21). Seja conhecido de vós, portanto, que a salvação de Deus é enviada aos gentios, e que eles a escutarão (Atos 28,28). O padre Gerald O’Collins, S. J. lembra que:

 

[...] ao refletir sobre a história geral da revelação e salvação, não devemos apenas considerar os indivíduos, mas atender também ao hinduísmo, budismo e outras religiões da África e Papua Nova Guiné. Estas religiões objetivam historicamente e institucionalizam socialmente a experiência transcendental da auto comunicação divina. Ao fazê-lo, elas podem introduzir elementos de erro humano e perversão, mas como instituições históricas que objetivam a revelação transcendental, elas comunicam a revelação e põem os homens e mulheres numa posição de decidirem a favor ou contra Deus. (O’COLLINS, 1991, p. 151).

 

Conclusão

 

       Ao ler o texto do evangelho de Mateus, o leitor sente tocar o seu coração, pelo Deus mostrado, por Jesus de Nazaré, ou seja, um Deus que é pai de todos os seres humanos, indiferentemente de gênero, raça, cor, nível social, econômico, cultural ou lugar geográfico de nascimento. O Jesus de Mateus vem mostrar que Deus está totalmente interessado nos seres humanos, filhos seus, e zelar para que todos sejam encaminhados a uma vida de plena felicidade. Mateus vem dizer que a Igreja é constituída por todos aqueles homens e mulheres que creem na ressurreição de Cristo e celebram a sua paixão, morte na cruz e ressurreição de entre os mortos. Isto tudo vem em contrário ao que pensava a maioria dos sacerdotes e demais autoridades religiosas, além de boa parte do povo, orientado por essas lideranças. Muitos estudiosos, pensadores e teólogos não aceitam que haja uma identificação substancial entre o texto evangélico de Mateus traduzido para o grego e o texto original de Mateus, escrito em aramaico. A crítica diz, consequentemente, que o texto da tradução grega, pelas diferenças que apresenta, do texto original, não pode ser obra de um discípulo direto de Jesus, apesar de que não nos foi possível descobrir, por não termos acesso a documentos característicos, diferenças entre um texto e outro que pudesse comprovar isto. Percebe-se, porém, na literatura, a informação de que a obra grega é um texto elaborado por uma pessoa que, além de ser conhecedor das tradições judaicas, é também muito interessada em catequizar. E esta pessoa faz isto com muita competência. Pode se afirmar, com certeza, que a obra de Mateus é, na verdade, de autoria de um grego anônimo que, conhece as Escrituras e tradições judaicas e preocupa-se em formar discípulos, dando lhes ensinamentos. Era sua intenção, ao escrever, levar o seu entendimento do que foi o “evento Cristo” para a humanidade em geral. Para isto, era necessário saber utilizar os elementos da cultura hebraica para catequizar os judeus e usar os elementos da cultura helênica para catequizar os helenos. Pois tudo leva a crer que este evangelho surgiu num ambiente misto de cristãos provenientes do judaísmo e do paganismo. Seu(s) autor(es), sem prejuízo do conteúdo e interpretação da espiritualidade de Israel, aceita(m) a existência de uma igreja gentio-cristã, sabendo que a mensagem de Cristo destina-se a todos os povos. Por muitas vezes o texto mostra Jesus contando parábolas que querem levar esperança, fé e confiança ao povo. E faz isto mostrando que os rejeitados pelo antigo Israel, unidos aos pagãos, principalmente os que tinham mentalidade grega, convertidos, todos ovelhas sem pastor, tornam-se o novo povo de Israel. Este evangelho, que representa o acolhimento, a fraternidade, a solidariedade, a não discriminação foi recebido e utilizado com predileção pela Igreja nascente.  Não é sem motivo que este evangelho especifica sistematicamente os opositores de Jesus como sendo os fariseus e dirige-se a uma comunidade que toma suas distâncias do novo judaísmo, dominado por eles. Os fariseus eram um grupo social formado por pessoas que estudavam e zelavam diligente e veementemente pela Lei mosaica e suas tradições, especialmente o sábado, a pureza ritual e o dízimo. A origem deste grupo social remontava aos assideus, do tempo dos Macabeus que, sob João Hircano I, se opunham à sua política filo-helenista. O Jesus de Mateus fala e vive como judeu-grego, preocupa-se com a formação dos discípulos, é o novo Moisés, que vem do Egito, pronuncia cinco discursos em assembleia e aperfeiçoa a Lei de Moisés, usando elementos da cultura helênica. Não surpreende, portanto, que os fariseus combatessem Jesus e por ele fossem combatidos. Concluo, após pesquisar em várias obras, inclusive nos comentários e apresentações das Bíblias citadas nas referências bibliográficas, que o Evangelho segundo Mateus, é uma tentativa bem sucedida de trazer um Jesus de Nazaré que, totalmente consciente de sua cultura, tradição e religião, soube mostrar aos discípulos que, na cultura pagã dos gentios, havia muita coincidência de fundamentos da palavra que Deus transmitira na Torah.  Mateus vem mostrar a universalidade da mensagem do Cristo: esperança, fé, caridade e vida plena para as pessoas que aceitam Jesus como o Cristo Senhor.

 

 

 

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Uberlândia (MG), outubro de 2013